Feita de tudo o que não se vê...
- Anahata Terapias
- 6 de mai.
- 2 min de leitura
Sou feita de extremos que não se anulam, vivem em mim, em silêncio, lado a lado.
Tenho uma mente que pensa demais, sente demais, percebe demais e, por isso, às vezes, acabo por sangrar por dentro sem que ninguém veja.
Há em mim uma beleza que não é apenas vista, é pressentida… mas quase ninguém percebe que, por trás dela, existe um lugar cansado, reconstruído vezes sem conta, sem testemunhas.
Aprendi cedo que o mundo não é gentil com quem sente tudo tão fundo.

Ainda assim, não me fechei.
Não me endureci.
Isto não é fraqueza, é uma forma de resistência que só eu sei o custo que tem.
Carrego marcas que não se vêem, histórias que não cabem em palavras simples.
Já fui desacreditada, deixada sozinha quando mais precisava de ser escolhida… e, mesmo assim, fiquei. Mesmo assim, continuei.
Há em mim uma força silenciosa.
Não grita, não se impõe, não procura ser vista, apenas fica.
Sou luz, mas não uma luz ingénua. Sou aquela que conhece a escuridão de perto e, ainda assim, escolhe não pertencer-lhe.
E isso cansa mais do que parece: custa noites em claro, pensamentos que não param, pedaços que vou perdendo sem dar conta.
Para alguns, sou fácil de amar. Para outros, difícil de compreender.
E há quem nunca vá ver mais do que a superfície, porque chegar a mim exige presença, exige profundidade, e nem todos conseguem ficar tempo suficiente para isso.
Não sou confusa. Sou complexa. E há uma diferença que dói entre as duas coisas.
Sou tudo para quem sabe ver. E nada para quem não tenta realmente olhar.
E talvez seja isso que mais me define: não preciso de ser girassol à procura do sol.
Eu própria aprendi a ser a luz que me guia.
Sandra ✨Dhriti Dasi



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