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Um espaço de verdade e conexão, onde cada palavra nasce do sentir e cada partilha convida ao regresso a ti.

No centro da vida...

  • Foto do escritor: Anahata Terapias
    Anahata Terapias
  • 6 de mai.
  • 2 min de leitura

Chegou ao meio da vida e sentou-se para tomar um pouco de ar. Não sabia explicar.

Não era cansaço, nem estava perdida.

Senhora do seu próprio tempo...No centro da Vida...
Senhora do seu próprio tempo...No centro da Vida...

Notou-se inteira pela primeira vez em todos esses anos. Parou ali, entre os dois lados da estrada e ficou a observar as margens da sua história, a estrada da vida a ficar fininha, calando-se de tão longe que ia.

Ali, naquele instante estava a receber um presente.

Desembrulhava silenciosamente a sabedoria que tanto pediu para ter mais.

Quando a mulher chega à metade da estrada da vida, começa lentamente a abrandar o passo. Já reparou que existe quem adora conturbar a própria rotina, alimentar o próprio caos?

Ela não. Não mais.

Deixa que passem, deixa que corram, a vida é curta demais para acelerar qualquer coisa.

Ela quer sentir tudo com as pontas dos dedos, ela quer notar o que não viu da primeira vez.

Senhora do seu próprio tempo.

Percebeu, na metade da vida, que caminhou com elegância, que viveu com verdade, que guiou a própria sombra na estrada em direção ao amor.

E como amou! Amor por si, pelos outros, amou em dobro, amou sozinha, amou amar.

A mulher ao centro da vida traz a leveza que os anos teceram, pacientemente.

Escuta mais, coloca a doçura à frente das palavras, guarda as pessoas com preciosismo.

Aquela mulher já perdeu pessoas demais.

Ao meio da estrada, ela já não dorme tanto, mas sonha mais. Sonha pelo simples exercício de sonhar. Sonha porque notou que é o sonho que tempera a vida.

O seu espírito livre, o seu riso aberto, a sua fé gigante.

Descobriu que o segredo é prestar atenção no melhor das coisas, nas qualidades das pessoas.

Sentada ali, ao centro da própria vida, decidiu seguir um pouco mais.

Há mais estrada para caminhar, mais certezas para perder, mais paixão para trilhar. Não há dádiva maior do que compreender-se, que encontrar conforto para morar em si mesma, que perdoar-se de dentro pra fora.

Ao centro da vida ela descobriu que nós não acabamos, vamos mesmo é se cabendo, a cada ano um pouco mais.


Sandra Dhriti Dasi


 
 
 

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