O dia em que me sentei com a minha alma...
- Anahata Terapias
- 2 de jul.
- 2 min de leitura
Há um tempo sentei-me com a minha alma, falámos e chegámos à conclusão de que não precisamos de nos explicar a toda a gente.
Foi uma conversa longa.
Daquelas que só acontecem quando o silêncio deixa de ser incómodo e passa a ser abrigo.
Falámos das vezes em que me perdi a tentar que os outros compreendessem as minhas escolhas, os meus sentimentos, os meus silêncios e até as minhas ausências.
Percebi que nem toda a gente está preparada para entender o que vive uma alma sensível.
Há quem veja exagero onde existe apenas verdade.
Há quem chame drama àquilo que é apenas intensidade.
E há quem nunca consiga compreender aquilo que nunca sentiu.
Durante muito tempo isso incomodou-me.
Sentia necessidade de explicar, justificar, esclarecer.
Como se as minhas emoções precisassem da validação de alguém para terem valor.
Hoje já não.
O caminho espiritual tem-me ensinado que a paz não nasce quando somos compreendidos pelos outros, mas quando aprendemos a permanecer verdadeiros diante de nós mesmos e diante do Divino.
Na minha caminhada, tenho descoberto que o silêncio também é uma forma de oração. É nele que o coração encontra respostas que nenhuma explicação poderia oferecer.
Aprendi que nem todas as portas se abrem para receber quem somos de verdade.
E está tudo bem.
Nem todas as pessoas fazem parte do nosso caminho, nem todas conseguem olhar para além da superfície.
Nesse dia, a minha alma fez-me uma festa no cabelo, como quem tranquiliza uma criança depois de um dia difícil, e sussurrou-me que há sentimentos que pertencem apenas ao nosso coração.
Que há silêncios que não precisam de tradução e dores que só encontram cura quando as acolhemos em vez de as explicarmos.
Fizemos um pacto.

O de deixar de desperdiçar energia a convencer quem já escolheu não compreender.
O de guardar o que é mais precioso para quem sabe cuidar.
O de continuar a sentir profundamente, sem pedir desculpa por isso.
A espiritualidade também me mostrou que não viemos ao mundo para agradar a todos. Viemos para aprender a amar.
Amar sem condições, servir sem esperar reconhecimento e confiar que tudo acontece no tempo certo.
Quando entrego o que não consigo controlar aos pés de Krishna, o coração deixa de lutar contra o mundo e começa, finalmente, a repousar na confiança.
Porque ser sensível não é uma fraqueza.
É uma forma de estar na vida.
É viver com o coração desperto, mesmo sabendo que isso, por vezes, dói mais.
E talvez seja precisamente essa sensibilidade que abre espaço para sentir a presença de Deus nos pequenos gestos, nos encontros, nas provações e até nos silêncios.
Hoje sento-me comigo mais vezes.
Escuto-me sem pressa.
Rezo, medito, canto o Nome Divino e procuro recordar que cada passo deste caminho é um convite para regressar ao Amor.
Abraço as minhas dúvidas, celebro as minhas certezas e deixo que a minha alma me recorde, sempre que preciso, que a paz nasce quando deixamos de viver para sermos entendidos e começamos simplesmente a viver para sermos verdadeiros.
Porque, no fim, não importa quantas pessoas compreendem o nosso caminho.
Sandra ✨Dhriti Dasi



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