top of page

Um espaço de verdade e conexão, onde cada palavra nasce do sentir e cada partilha convida ao regresso a ti.

Dias em que a alma pede silêncio...

Foto do escritor: Anahata Terapias
Anahata Terapias
14 de set.
2 min de leitura

Hoje acordei com uma imensa dificuldade em sair da cama.

Não é cansaço físico. Não existe uma razão visível, concreta, que consiga apontar e dizer: é isto.

É algo mais profundo. Algo que vem de dentro e que, muitas vezes, chega antes de eu conseguir compreender de onde vem.

Existe em mim uma vontade imensa de viver. De sentir a vida. De ser alegre, de acreditar, de seguir os meus sonhos e de continuar a caminhar em direção àquilo que a minha alma reconhece como seu.

Mas existem também dias em que não quero fazer nada.

Dias em que não quero lutar, resolver, construir, procurar ou sequer compreender.

Quero apenas existir.

E talvez seja nesta aparente contradição que exista uma verdade que ainda estou a aprender a aceitar.

Nem sempre a alma quer movimento.

Às vezes, ela pede silêncio.

Pede recolhimento. Pede pausa. Pede que deixemos de tentar encontrar respostas e simplesmente permaneçamos presentes com aquilo que somos naquele momento.

Sou intensa em tudo o que faço. Sinto profundamente, entrego-me, dou, sonho, acredito. Muitas vezes, vivo tudo com uma força que nem sempre sei desligar.

E talvez por isso existam dias em que algo dentro de mim diga:

Agora chega.

Agora não precisas de fazer mais nada.

Agora apenas fica.

Durante muito tempo talvez tenhamos aprendido a ver a pausa como fraqueza, a tristeza como algo que precisa de ser ultrapassado rapidamente e a falta de vontade como algo que precisa de ser corrigido.

Mas e se não for assim?

E se também houver sabedoria nos momentos em que nada parece acontecer?

A natureza não floresce todos os dias.

Há sementes que precisam de permanecer escondidas na terra antes de encontrarem a luz. Há árvores que atravessam o inverno aparentemente imóveis, mas profundamente vivas.

Talvez nós também sejamos assim.

Talvez existam fases em que a vida nos convida a voltar para dentro.

Hoje sinto essa necessidade.

Não quero obrigar-me a estar bem. Não quero encontrar uma explicação para tudo. Não quero transformar este dia numa lição bonita só porque preciso de justificar aquilo que sinto.

Hoje quero simplesmente permitir-me estar.

Porque talvez espiritualidade também seja isto:

escutar aquilo que não conseguimos explicar.

Respeitar os nossos ciclos.

Aceitar que somos feitos de luz e sombra, de movimento e quietude, de força e vulnerabilidade.

E compreender que um dia em que apenas conseguimos existir não é um dia perdido.

É apenas mais um momento da nossa caminhada.

Hoje, talvez a minha alma não esteja a pedir para avançar.

Talvez esteja apenas a pedir para ser ouvida.

E hoje, pela primeira vez, não vou tentar fazê-la calar.


Sandra ✨Dhriti Dasi


 
 
 

Comentários


bottom of page