Dias em que a alma pede silêncio...
Hoje acordei com uma imensa dificuldade em sair da cama.
Não é cansaço físico. Não existe uma razão visível, concreta, que consiga apontar e dizer: é isto.
É algo mais profundo. Algo que vem de dentro e que, muitas vezes, chega antes de eu conseguir compreender de onde vem.
Existe em mim uma vontade imensa de viver. De sentir a vida. De ser alegre, de acreditar, de seguir os meus sonhos e de continuar a caminhar em direção àquilo que a minha alma reconhece como seu.
Mas existem também dias em que não quero fazer nada.
Dias em que não quero lutar, resolver, construir, procurar ou sequer compreender.
Quero apenas existir.
E talvez seja nesta aparente contradição que exista uma verdade que ainda estou a aprender a aceitar.

Nem sempre a alma quer movimento.
Às vezes, ela pede silêncio.
Pede recolhimento. Pede pausa. Pede que deixemos de tentar encontrar respostas e simplesmente permaneçamos presentes com aquilo que somos naquele momento.
Sou intensa em tudo o que faço. Sinto profundamente, entrego-me, dou, sonho, acredito. Muitas vezes, vivo tudo com uma força que nem sempre sei desligar.
E talvez por isso existam dias em que algo dentro de mim diga:
Agora chega.
Agora não precisas de fazer mais nada.
Agora apenas fica.
Durante muito tempo talvez tenhamos aprendido a ver a pausa como fraqueza, a tristeza como algo que precisa de ser ultrapassado rapidamente e a falta de vontade como algo que precisa de ser corrigido.
Mas e se não for assim?
E se também houver sabedoria nos momentos em que nada parece acontecer?
A natureza não floresce todos os dias.
Há sementes que precisam de permanecer escondidas na terra antes de encontrarem a luz. Há árvores que atravessam o inverno aparentemente imóveis, mas profundamente vivas.
Talvez nós também sejamos assim.
Talvez existam fases em que a vida nos convida a voltar para dentro.
Hoje sinto essa necessidade.
Não quero obrigar-me a estar bem. Não quero encontrar uma explicação para tudo. Não quero transformar este dia numa lição bonita só porque preciso de justificar aquilo que sinto.
Hoje quero simplesmente permitir-me estar.
Porque talvez espiritualidade também seja isto:
escutar aquilo que não conseguimos explicar.
Respeitar os nossos ciclos.
Aceitar que somos feitos de luz e sombra, de movimento e quietude, de força e vulnerabilidade.
E compreender que um dia em que apenas conseguimos existir não é um dia perdido.
É apenas mais um momento da nossa caminhada.
Hoje, talvez a minha alma não esteja a pedir para avançar.
Talvez esteja apenas a pedir para ser ouvida.
E hoje, pela primeira vez, não vou tentar fazê-la calar.
Sandra ✨Dhriti Dasi



Comentários