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Entre ciclos e mudanças: a sabedoria do Ayurveda...

Foto do escritor: Anahata Terapias
Anahata Terapias
29 de set.
2 min de leitura

Talvez o tempo não seja aquilo que passa.

Talvez sejamos nós que passamos por ele.

A natureza ensina-nos isso todos os dias, mesmo quando não paramos para observar. As folhas nascem e caem. As árvores florescem e despem-se novamente. O sol nasce e desaparece. A lua cresce, mingua e volta a começar.

Nada permanece exatamente igual.

E, no entanto, existe uma profunda sabedoria em tudo isto.

No Ayurveda, a vida é compreendida através dos ciclos. Nada é estático. O corpo muda, a mente muda, as estações mudam, a nossa energia muda. Existe um movimento constante entre equilíbrio e desequilíbrio, entre expansão e recolhimento, entre aquilo que chega e aquilo que precisa de partir.

Talvez o nosso sofrimento comece muitas vezes quando tentamos contrariar esse movimento.

Queremos permanecer onde já é tempo de partir. Queremos segurar pessoas, momentos, sentimentos e versões de nós mesmos que já cumpriram o seu propósito. Queremos que determinadas fases durem para sempre, quando a própria natureza nos mostra que nada foi feito para permanecer igual.

A impermanência pode assustar.

Mas também pode libertar.

Quando compreendemos que tudo está em movimento, começamos a olhar para a vida de outra forma. Uma despedida deixa de ser apenas uma perda. Um fim pode tornar-se espaço. Uma mudança pode deixar de ser uma ameaça e transformar-se numa passagem.

Tal como a natureza não questiona o momento de deixar cair uma folha, talvez também nós precisemos, algumas vezes, de confiar no que já não podemos carregar.

O Ayurveda fala-nos dos ritmos da vida, dos ciclos e da necessidade de viver em harmonia com eles. E talvez uma das maiores aprendizagens seja perceber que não podemos exigir de nós a mesma energia em todas as fases.

Há momentos para agir.

Há momentos para parar.

Há momentos para florescer e outros para recolher.

Há dias de luz e dias mais silenciosos.

E todos eles fazem parte do caminho.

Hoje, quando penso no tempo, já não o vejo apenas como algo que nos rouba anos. Vejo-o como um mestre silencioso. Um mestre que nos mostra quem somos através daquilo que deixamos para trás e daquilo que escolhemos continuar a levar connosco.

O tempo muda-nos.

E talvez seja suposto.

Porque viver não é permanecer igual. É permitir que cada experiência nos transforme sem perdermos a nossa essência.

Há coisas que o tempo leva e coisas que o tempo revela.

Revela aquilo que é verdadeiro. Aquilo que permanece quando o entusiasmo passa, quando as circunstâncias mudam, quando já não precisamos de provar nada a ninguém.

E talvez seja aí que encontramos aquilo que realmente importa.

Não no que conseguimos controlar, mas na capacidade de aceitar os ciclos.

Não em tentar parar o tempo, mas em aprender a habitá-lo.

Não em querer que tudo permaneça, mas em agradecer enquanto permanece.

A natureza nunca tem pressa de chegar à próxima estação.

Talvez nós também precisemos de aprender isso.

Talvez a vida não esteja atrasada.

Talvez cada coisa esteja simplesmente a acontecer no seu próprio tempo.

E enquanto o tempo passa, a vida acontece.

Aqui.

Agora.

E talvez o verdadeiro desafio seja não passar pela vida à espera do próximo momento, mas estar suficientemente presente para reconhecer a beleza daquele que temos diante de nós.

Porque tudo muda.

Tudo passa.

Tudo renasce.

E nós também.


Sandra ✨Dhriti Dasi


 
 
 

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